Por trás das palavras


Lucas Pasini


A palavra sangra, a palavra salva. Pode ser o alívio ou também levar ao calvário. A palavra escorre por entre os dentes e se apresenta por entre sorrisos amarelados, levando junto à esperança, mudando um destino estraçalhando sonhos. A palavra pinta um sorriso numa face triste, é capaz até de curar feridas da alma. É capaz de fazer até o sol aparecer no meio de uma tempestade e aquecer um coração. A palavra chega e me enfrenta sem razão, vem cheia de sombras deixando escuro o clarão. Ostenta os desejos e me deixa os medos e fica gravada nas lembranças por entre mágoas e rancores.

A palavra pode ser uma flor a desabrochar no inverno, que transforma a nostalgia de uma paisagem acinzentada no colorido verde-esperança de um recomeço, fazendo-nos reerguer a cabeça e voltarmos a trilhar o caminho dos sonhos.
As palavras têm um poder infinito e desmedido, um tanto desconhecido de transformar, e sempre devem ser bem pensadas antes de serem faladas, pois podem até uma vida destruir ou salvar.

As duas violências


Carlos Giovani Delevati Pasini

Existem dois tipos de violência no mundo: a explícita e a implícita. A primeira, ameaçadora à existência física, surge devido às necessidades materiais (ganância), de sobrevivência (fome, frio etc) e como fonte de recursos para obter drogas (crack etc). É constatada em furtos, brigas, assassinatos e outras ocorrências. É um tipo de agressão de fora para dentro. A outra violência é a pior, miúda em percepção e imensa em danos. Está escondida em atitudes cínicas, fofocas ofensivas e em outras reações negativas, que visam o fracasso alheio.

Hoje, na era dos pós-internáuticos, se tornou comum, com traços destrutivos, fazendo parte dos relacionamentos interpessoais, quase atingindo a genética humana. É um modo de agressão de dentro para fora. O mundo (e Santiago) padece com essas formas de violência. O que fazer? De fora para dentro, só nos resta torcer que a selva de pedra em que vivemos seja sorteada com atitudes milagrosas, ou no mínimo inteligentes, de nossos governantes. Nesse caso, sugere-se o investimento em educação.

De dentro para fora, cabe o repensar as próprias atitudes, rever os erros e (auto)criticar a postura pejorativa que por vezes está em nossa conduta. Nesse ponto cabe um autoinvestimento em reeducação. Só assim passaremos a interferir neste mundo caótico, do mais perto para o mais afastado e, talvez, o futuro de nossos netos se torne tão saudável quanto o dos nossos avôs, onde o bigode era sinônimo de responsabilidade e honra.

A Troca


Marcus Vinícius Manzoni (marcusviniciusmanzoni@gmail.com)

Entrei no ônibus que vinha de Bossoroca pra Santiago do Boqueirão, procurei minha poltrona e sentei. Eis que vem em minha direção um senhor de idade e senta ao meu lado.
Eu disse: “Bom dia, senhor.”
Ele me respondeu, no pleno ar da sua criação bagual, um estendido: “Óh! Que tal?”
Disse eu: “...frio que está fazendo hoje, não?”
Disse ele: “Rapaz, eu vou te contar. Isso aqui tá uma umidade bárbara”. Concordei, na fidalguia: “E como está!”

Compartilhamos uma conversa anônima, sem saber um do outro. Sem saber do dinheiro ou da profissão. Um papo além da porteira da inibição, o momento foi uma troca de nada por coisa nenhuma. E isto se confirmou nas últimas palavras do velho.
Despediu-se, dizendo: “Tchê! Eu desço aqui na Chácara São Pedro. Obrigado por deixar o meu dia como estava quando acordei.”
Despedi-me, retribuindo: “Disponha.”


Poema


Sandra Ivaniski

Brincadeiras...boneca...
Afago...carinho...colo
Lhe procurava...lhe via...lhe ouvia
Lhe tinha...lhe sentia...
Infância...doce infância

Alegria...acampamento...praia
Música...violão, estudo...problemas
Lhe procura...lhe via...lhe ouvia.
Adolescência, mágica adolescência.

O tempo passa rápido...ainda
Hoje, nas horas mornas
Nas doces tardes de domingo
Na leve brisa que bate em meu rosto
Nos meus momentos mais felizes
Nos olhos de teus netos
Filha sua, ainds lhe procuro
Mas não mais lhe ouço...não mais lhe vejo
Mas ainda posso sentí-lo...
...meu Pai.

Alinhavos


Cácio Machado da Silva

Crackrianças:
invenção do diabomem

Assola metrópolis
Assola micrópolis
A peste é clara
Estrela que estrala
Fede metálica

Peçonha de aracnídeos

Ronda a porta de nossas casas
Quer crianças
Ingênuas, indefesas e curiosas
A peste sorri e tem unhas
Apresilha violenta e vicia
O vírus da peste tem nome
É arrogante

O bicho traficante

Sem vacina,sem cura
Furta infância
Curra sonhos e brinquedos
Implanta desejo químico
Desespero pela dose

Uma pedra só
Mais uma só
Só uma só
Mais uma
Só mais uma só
Mais uma só mais
Mãe,
maieeeeeeeeeeeê..

Sentido inexistente

Micheli Tadiello Pissollatto

Acredite quando digo que não amo
Não amo porque não conheço o significado disso
Se não amar é sofrer e amar também
Então tudo deixa de fazer sentido
Acredite quando eu disser para não acreditar em mim
Afinal, eu também minto
Realizar não é formular e não fazer
E tudo novamente perde o sentido.
Por que o bom jogador é somente o que ganha?
Por que devo ser igual aos outros se sou eu mesma?
Não espere que eu seja sempre esta doce menina
Sou mulher e por isso indecisa
Sou confusa ao ponto de ser muitas em uma só
Não sendo portando nada
Eu sou exatamente da forma que vê
Mas não somente isto.
Sou tão fraca que acredito em meus próprios conselhos.


O sentido das Brácteas

Erilaine Perez (galega.perez@gmail.com)

Aqui em Santiago o vento é gélido. Nossos rostos são como espadas nuas refletindo a palidez do frio. Pessoas levadas por essas ondas navegam pelas ruas, misturando à paisagem as cores de casacos e mantas de lã. É quase hora de almoço, mas prefiro escrever. O vapor da comida embaça as vidraças, então, sorvo um chimarrão que vai acalentando a sensação térmica e diminuindo a contração dos músculos.

Enquanto verdeja o amargo, lembro que sou gaúcha e, afinal, o frio também é causa para reflexões poéticas.

Um dia para meias três quartos sobre outras meias. Cabelos presos, porque atrapalham nas golas altas, botas, chocolate e viagens sem passagem marcada para o lugar mais aconchegante do planeta: o abraço! Apesar da agressividade do clima, as brácteas permanecem vulcânicas na soleira da janela. Penso que poderiam ter sido o motivo do vermelho na nossa bandeira sulina. Mesmo que não, para mim, elas têm sido uma fonte imarcescível de calor, enchendo meus olhos e meu coração de vida. Tudo mais que vive, parece agradecer ao gesto e, o toque, carrega em si novos significados, ainda que de forma inconsciente.

Paro por instante e internalizo os olhares carregados que, por mais que tentemos desviar, nos atravessam como o fio dessa espada gélida dos ventos.

Lembro do sentido das brácteas, socorro armazenado para uma cura que cauteriza com fogo e, por isso, também purifica as marcas. Assim, ainda que o inverno seja intenso, meu abraço nunca será contaminado pelo frio; resistirá quente como o colorido das brácteas.

Lembranças do futuro

Carlos Giovani Delevati Pasini (gpasini@ig.com.br)

A lembrança mais forte que tenho de meu pai, da época que eu ainda era uma criança, é a seguinte: ele sentado na frente de sua velha máquina Remington, trabalhando até altas horas da noite, em jornadas fora do expediente, justamente para adiantar e manter em dia o ofício para qual tanto se dedicava. Observei isso como uma grande qualidade e tento sempre seguir os seus exemplos. Confesso, caro leitor, que ainda estou “atarantado” com a notícia dada pelo médico, de uma forma um tanto fria, lá no Hospital de Caridade de Santa Maria: “Não tenho uma notícia boa, o seu pai faleceu...”.

O passado e o futuro se confundiram, as recordações felizes fizeram as lágrimas saltarem de meus olhos. Este podia ser um artigo triste, pois despedidas como essa se resumem numa dor quase insuportável, inaceitável e nocauteante. É comum, nesses momentos, buscarmos o amparo em Deus e foi o que fiz. Ao contrário, quero dizer que este é um artigo feliz! Por isso eu lhe digo: quando você achar que já disse uma quantidade suficiente de “eu te amo!” para a pessoa amada, saiba que ainda não é o bastante; e quando sentir vontade de estar junto com a pessoa que tem carinho e o trabalho não deixa, esqueça o trabalho.

A imagem que tenho de meu pai – trabalhador, inocente e carinhoso – carrega uma carga de amor tão grande, que peço a Deus (quase todo o dia) para que meus filhos gostem de mim tanto quanto eu gostava dele. Como eu disse, este é um artigo feliz! O meu velho pai cumpriu a sua missão muito bem, e eu pude agradecê-lo por tudo e dizer “pai, eu te amo”, enquanto ele entrava para a sala de cirurgia. Sou feliz, estou completo e tranqüilo. Aproveite esta tarde para dizer o mesmo para os seus pais, esqueça qualquer briga e abrace-os. Essas lembranças do futuro ficarão para sempre na sua memória...

Eu Pensei


José Pelegrino Savaris

Pensei em ir até a lua
Pra ver a cor dela
Se é branca ou esmeralda
Diamante ou amarela...
..só pensei!

Pensei em ir até p sol
Em minutos, num segundo...
E lá nos seus raios
Mandar paz ao mundo...
...só pensei!

Pensei em ir até as nuvens
Me cobrir com aquele véu
E estando por lá
Tentaria ir até o céu...
...só pensei!

Pensei andar pelo mundo
Transmitindo paz e amor
Eliminando toda a doença
Quem sou eu não sou o senhor...
...só pensei!

O amor é....


Gláucia Botta Cuti (bottacuti@bol.com.br)

.... um lugar onde o coração descansa e vive em paz.
....um ponto onde a tempestade não alcansa.
....um lugar onde existe o conforto em época de dificuldade.
....um espaço onde aquele sonho solitário virá realidade a dois.
....um sentimento que tem delicadeza e dá saudade.
....um cantinho onde o coração se abriga por um tempo
e mesmo que este abrigo deixe de existir só a lembrança desse amor que aconteceu viverá para sempre no coração dos que dele provaram.
Para alguns o amor pode ser leve, alegre, gentil e representa toda felicidade que existe na face da terra, colocando o riso nos olhos e a esperança na alma.
Para outros o amor pode ser duro, doido e cruel.
O amor pode ser um oceano, um céu ou um devaneio....
O amor é estar, é sentir, é crescer é pensar...
O amor é viver.......

O mundo das religiões


Marcelo Diello Moro (marcelodiello@hotmail.com)


Elas mesclam como se mescla as camadas sociais
Quem é mais evoluído quem é mais polido
Quem está no mesmo nível
Verdades que são preconceitos
Conceitos que se tornam verdades
Religiões que nos aprisionam e nos tranqüilizam
Que dizem o caminho certo
Dentro dos nossos valores
Valores que podem ser diferentes a cada mente
Depende de como as vê
Estamos buscados a sermos sociáveis
De vida de sermos normais
Mas o mundo interior está em nós
O livre acesso de fazermos o que quisermos
Leva-nos a escolhas duras
Talvez muito dolorosas
Talvez não
O caminho de mudar é arriscado
Mas com certeza se a mudança for para o amor
Tudo vale apena
As coisas se tornam pequenas
Não ha força maior em vida
Essa força que pode curar qualquer ferida
E que pode nos tomar iguais não pela religião ou posição
Mas pelo simples fato de amar



Gaudério de Santiago


João Edson Marques do Amaral (Canarinho)

Santiago é a minha terra
E esta o amor simboliza
no fórum internacional
do escritor suaviza
que este pago tem valor
E diz de forma precisa
que o poeta e trovador
nas rimas se eterniza
E em qualquer lugar que for
conhece o chão que pisa

Ser ligeiro, abarbarado
Esta é a cara do gaudério
é meu retrato estampado
e até sorrindo, sou sério
Nas rimas trancei um laço
E o faço com bom critério
fiz da descência meu trono
E diz fiz dono do mistério
de perdoar por tradições
até em portões de cemitério

Espaços

Erilaine Perez (galega.perez@gmail.com)

A solidão que sinto vem das multidões, do meio da rua. Vem dessas casas que se amontoam com paredes cada vez mais próximas. Desses bichos perdidos e pedintes nas esquinas, sem donos. Dos teus olhos que não me enxergam, fixos noutro ponto. A solidão que sinto é cada vez mais antiga. Vem de momentos que já passaram, de coisas que se perderam e de gente que foi embora.

Em que esquina estarão perdidas junto com os seus bichos?E teus olhos? Que caminhos escolheram junto com o teu coração? A solidão que sinto vem,cada vez mais, do intelecto. Dos livros que li, dos jornais que folheio, das notícias que escuto, das pessoas que observo. Meus ouvidos, feridos pela consciência, se afastam do som e me encapsulam: placebo inútil. Quem escutará o que tenho apreendido? A solidão que sinto vem da minha verdade. Algo que emerge de rios subterrâneos e tão particulares, que não pode ser comum a nenhuma outra pessoa. Quem me dará razão?

A solidão que sinto vem do coração: física e metafísica feito sombra e luz. Uma adversidade em que nada comunga, porque se concentra no território mais difícil de acessar.
Quem não enlouqueceria num labirinto assim? A solidão que sinto é cada vez mais do cansaço. De andar em ruas cheias de gente, em ônibus lotados, em salas claustrofóbicas, em livros do mundo. Espaços e coisas tão cheias de todos. Vazios de tudo.

Almas Fantasmais


Micheli Tadiello Pissollatto

Certa noite, quando a insônia me venceu, raivosa vesti-me e saí sem rumo. Não, não tinha planos para aquela maldita noite, caminhei por horas esperando que o dia nascesse e assim meus rotineiros afazeres, porém, aquela noite estendia-se como se fosse eterna, tornando-se cada vez mais débil. Continuava eu frenética e em busca de respostas – não havendo perguntas. Quando minha jornada tornou-se ridícula e pondo-me a retornar, algo chamou minha atenção, no céu uma estrela de brilho purpúreo parecia mover-se de forma estranha, decidi ‘segui-la’. Minha suposição era verdadeira, a estrela servia-me como bússola para algum lugar a qual eu não conhecia. Prossegui até um parque – deserto – onde a estrela desapareceu, fiquei a procurá-la e novamente sem rumo percorri cada canto daquele local em busca do porque de eu estar lá, do motivo de algo haver-me conduzido para onde nada relevante existisse.

Avistei então um lago semicristalino, causando-me uma sensação de paz, sentei em um banco que o beirava, fitei as flores caídas na água, observei então a lua, quando voltei meus olhos para o lago vi o reflexo de um homem, levantei-me e ele caminhou até mim – não mais havendo obstáculos entre nós. Olhamos-nos hipnotizados, os únicos movimentos presentes naquele momento eram o piscar de nossas pálpebras e nossa respiração. Aquele homem era inexpressivo, mas em seus olhos havia alma, alma que eu via alma que eu tocava. Prosseguimos inertes, então o sol nasceu, as aves cantaram, as pessoas acordaram, continuamos ali parados, nossas almas, nossos agora fantasmas.

Viagem

Ayda Bochi Brum

Meu barco saiu
para a grande viagem
da vida.

Hasteei a bandeira branca
no alto do mastro, na vela.
Ela se fez vermelha e
eu sorri chorando.

Ela se fez preta
e eu chorei sorrindo.
Ela se fez multicores
e eu, choro sorrindo

me dei conta de que estava viajando
na vida.

Página em branco


Janice Trombini

Pense em cada dia que nasce, cada sol ao raiar, poderia ser uma folha em branco. Fazemos na vida tamanhas bobagens, erros, acertos, estamos sempre como se estivéssemos fazendo uma prova, que quando rabiscamos muito, pedimos uma folha em branco para começar de novo. Começar de novo...pedi neste ano para Deus uma folha em branco para reescrever minha vida, passar a limpo, escrever meus ideais, minhas expectativas, meus sonhos, não cometer os mesmos erros..uma folha limpa, branca para eu passar a limpo tudo, fazer a vida acontecer de forma mais leve, calma.

Não terei medo de escrever cada palavra pois minhas folhas estão muito rabiscadas de erros e acertos com os quais revi, vivi e aprendi, mas agora quero apenas uma folha em branco onde escreverei sem erros de ortografia pois pensarei antes de escrever...sem riscos, tomarei cuidado para não resvalar a caneta, pois como nunca, estou com os meus pés firmes no chão. Sei lá se não vou rabiscar, mas certamente não serão os mesmos erros do passado. Estou me reescrevendo nesta folha em branco, página por vez. Creio que assim...serei mais feliz !

Surpreendente

Lígia Rosso

Assim como você chegou,
logo partiu.
Sorriu.
Calou.
Não voltou.

Saudade de um instante deixou.
Pelo caminho ficamos perdidos.
Reencontrar-lhe, não creio que seja possível.

Só restou a surpresa - boa e ruim:
bom por ter lhe encontrado.
Ruim por ser surpreendente,
assim, demais,
e tão repentinamente.

De Repente Trinta

Erilaine Perez


De repente trinta. Agora já posso falar de coisas que aconteceram há vinte anos. Mas a realidade é que, diferente da grande maioria das mulheres, a idade é coisa que não tem grande importância para mim. Pensei que talvez acordasse hoje sentindo algo diferente, estranho ou inusitado... e nada... A manhã raiou quente como a de dias anteriores e a rotina foi a mesmice de sempre, salvo o abraço mais demorado que o de costume.

De repente trinta...e não tenho vontade de frequentar a academia, começar uma dieta à base de líquidos ou inaugurar o creme antirradicais livres. Porém, uma apurada percepção de que ainda falta muito para alguém que apressou alguns eventos e retardou outros. A faculdade começada em hora tardia, a carteira de motorista que ainda não tenho, a segurança financeira não conquistada... Observo que tenho mais idade que meus colegas, porém, estou a perseguir os mesmos sonhos, talvez com a relevante diferença de uma vontade mais intensa, mais pensada, mais sabida. De repente trinta... e a certeza de que os amores da juventude nem eram tão amados assim, que as perdas de ontem não foram tão irreparáveis, que eu não era tão fraca quanto os outros me faziam sentir, e que pra sempre é lugar que não existe.

Todo o definitivo se perdeu, e eu não me tornei uma hippie eterna a advogar por causas impossíveis. O mundo não mudou para melhor, o armagedon não aconteceu no ano 2000, o consumo de água continua sendo questão de debate, e os europeus continuam dizendo que o Brasil precisa de mais 500 anos. Trinta anos e ainda sou romântica, gosto de laços e vestidos, sapatos de boneca, flor no cabelo, batom vermelho, e acredito que a feminilidade jamais pode estar dentro de botas e de jeans apertado. Sonho com uma vida de poesia, música em volume baixo e domingo no sofá. Trinta anos e um amor de verdade para viver o lado bom e o ruim, para aprender juntos, e para inspirar mais trinta.

O som da palavra

Cácio Machado


É matéria
É um cano
É artéria
Que sai da alma
Varar dia e noite
Varar de fome
Ronqueira de tripas
Momento agônico
Secor infame

Fome que devora
Entisica e martiriza
A fome do eu
A fome do tu
Agoniza

A Mulher que Chorava Ouvindo Shostakovich

Marcus Vinícius Manzoni da Silva (marcusviniciusmanzoni@gmail.com)


Chegando em um Clube de Artes instalei-me na primeira cadeira que encontrei, tratei de ficar em silêncio observando quadros. No outro lado da sala uma mulher chorava, porque lembrava da morte do pai quando ouvia Shostakovich (ela falou isso a um velho que estava a seu lado). Realmente, quando conferi a música que tocava, era uma das sonatas para Cello e Piano desse compositor soviético. Levanteime, atravessei a sala em direção a ela, pus minha mão em seu ombro e, tentando acalmá-la, proferi: “Querida, se o teu pai foi comunista, fica na tua”.

A pureza da criança




A pureza de uma criança
Exorciza qualquer vingança
A pureza de uma criança
Traz consigo a esperança
A pureza de uma criança
Exorciza qualquer violência
A pureza de uma criança
Traz consigo a inocência
A pureza de uma criança
Exorciza qualquer maldade
A pureza de uma criança
Traz consigo a lealdade
A pureza de uma criança
Exorciza a saudade
A pureza de uma criança
Traz consigo a felicidade

Solidão insana

Em meu passado revoltoso, fase de imensa solidão - humana -, lá sempre esteve minha amada e provavelmente única companhia, sim, um animal, e por ela estar lá hoje percebo que em épocas sombrias algo - por mais minucioso que seja - nos traz digamos que motivação. Olhando para o que acontecera, afirmo que a solidão nos leva a idéias insanas e a pensamentos fantasmagóricos.

Hoje, neste dia de ar primaveril e céu outonal, observando meu casal de pássaros, me sobrevém uma sensação de angústia, pois agora me são inspiradoras aquelas criaturas perfeitas, embora me agredindo - talvez por medo - as amo e sutilmente ironizo meus sentimentos de coração bom, afinal conheço meu íntimo e minhas reações infanto-psicóticas. Uma loucura qualquer de um dia sórdido, minha dor, melancolia, ou qualquer coisa que me faça reagir insana e inconseqüente leva-me a repudiar minha torpe existência. Hoje, hoje refiro-me a mim como o prelúdio de uma vida conturbada e inquieta de uma mente não definida. Hoje não quero dar mais motivos de desencanto, liberte-me salve-me, ainda sinto o seu calor... distante.

Crepúsculo


Alessandro Reiffer (reiffer@gmail.com)

cipreste no escuro aos gritos
sopro na noite de gelo
dente de lobo na cruz
beijo de roxo no céu
sangue de lobo no escuro
roxo de gelo no dente
beijo nos gritos do céu
sangue de cruz no cipreste
sangue nos gritos do lobo
beijo de noite de sangue
sopro de sangue já roxo
sangue no escuro do céu
sangue da noite ao cipreste
grito de sangue no dente
sangue no beijo de sangue
sangue e mais sangue e
mais vinho...



Quando me amei...

Janice Trombini

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome…
Auto-estima.

Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia e meu sofrimento emocional não passam de um sinal de que estou indo contra as minhas verdades.
Hoje sei que isso é…
Autenticidade.

Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de…
Amadurecimento.

Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas
Hoje sei que o nome disso é…
Respeito.

Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável…
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
No início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama…
Amor -próprio.

Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos. Abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é…
Simplicidade.

Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez. Isso é…
Plenitude.

Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é…
Saber viver!!!

Tardes de Laura


Luana Motta Diello- (luana_g_m@hotmail.com)


Todas as tardes, Laura escrevia em seu diário
Todas as tardes, Laura conversa com seu destino
Todas as tardes, Laura buscava respostas
Em todas as tardes, Laura chora
Todas as tardes, Laura tenta ser legal
Todas as tardes, Laura é esquecida
Todas as tardes, Laura olha para o horizonte
Em todas as tardes, Laura sangra
Todas as tardes, Laura quer mudar algo
Todas as tardes, Laura tem sua língua arrancada
Todas tardes, Laura vê o mal crescer
Em todas as tardes, Laura acha a saída
Todas as tardes, Laura se entrega
Todas as tardes, Laura é queimada na praça
Todas as tardes, Laura é pedra no sapato
Todas as tardes, Laura é invisível
Todas as tardes, Laura é tantas incompreendidas Lauras.

O menino


Gustavo Faturi

O menino é pobre
Pede esmola do dia
à lua crescente
Achando que era decente
O menino não tem esperança
Para ter uma vida feliz
Quando consegue comida
Está feliz é o que diz
A miséria é séria
O menino é pobre
Comendo do lixo
É esse o menino


Poema escrito pelo aluno Gustavo da Rosa Faturi, da 5ª. Série do Colégio Medianeira. Produzido em sala de aula.Professor: Ronaldo Gomes- Tema livre.

Beleza?

Lígia Rosso (ligiarosso@hotmail.com)


Não tenho beleza destas de novelas...
não sou, nem quero ser
pré-fabricada.
Formatada.
Moldada.

Minhas curvas não são sinuosas
tal qual as da top do momento,
nem meus cabelos
têm a lógica do vento!

Beleza?
Essa é invisível aos olhos.
...a verdadeira mora na alma.

Agradeço todos os dias
por negar a perfeição!

Bonito mesmo
é ter conteúdo interno
e brilho nos olhos.
Beleza?!
Teus padrões andam questionáveis...
Desculpe-me a franqueza!

O orkut

Marcelo Diello Moro (marcelodiello@hotmail.com)

Olhos no Orkut
Fotos no Orkut
Todo mundo quer aparecer
Mulher bonita tem vez
Foto toda a noite
Produção de um mundo moderno
Ser eterno em aparência
E a concorrência?
De tantas flores aparentes
Comentário os vários.
Repostas de amigos que são virtuais
E onde eles estão quando são reais
Na rua, quando os olhamos
Ninguém tem tempo de ser virtual e pessoal
Talvez por vergonha de se real
É mais fácil mesmo, ser virtual estamos lá, mas não nos evolvemos
Somos seres assim você eu
Mas se passar na rua me de uma oi real, talvez eu esteja lá mesmo.
E diga oi! Como vai?
Há eu posso esquecer que tu és meu amigo, me avisa.


Opening Into Nightmares


Ana Evelyn Perdigão (vulnerate@gmail.com)

Você sabe o que é sentir uma tristeza infinita, capaz de devorá-lo por inteiro, sem que você possa ao menos levantar-se para pedir socorro? Não me refiro a uma tristeza comum, esta que é fundamental na vida de qualquer indivíduo.

Você sabe o que é chorar para que um novo dia não amanheça com a quase total certeza de que este dia será tão exaustivo quanto o que se foi? Você sabe o que é sentir-se inútil e completamente incapaz consigo mesmo? Você sabe o que é estar subordinado aos seus próprios sentimentos?

Você sabe o que é passar anos no mesmo estado de humor, com isso tragando-o para dentro de seu desespero, aumentando ainda mais a dor? Não falo de dor física, esta muitas vezes é eventual. Refiro-me a uma dor mental esmagadora capaz de sugar todas as suas forças. Capaz de arrastá-lo e atraí-lo para os seus mais terríveis pesadelos.

Você sabe o que é rezar para morrer? A dor e o sofrimento chegam a ser tantos que a aflição de morrer e a dor da morte já não mais importam, pelo contrário, a morte torna-se um tanto atraente a olhos amedrontados.

Você sabe como é ter vergonha e nojo de si mesmo ao perceber que permanece inerte a tudo e a todos? Você sabe o que é estar entorpecido pelas intermináveis lágrimas que insistem em cair em seu rosto, soluçando e a ponto de chorar sangue?

Você sabe o que é ter pena de si mesmo ao olhar-se no espelho? Você sabe o que é sentir uma fraqueza tão intensa sem saber de onde ela vem?

Você sabe o que é não ter mais vontade nem de se quer respirar? Você tem noção de como é tudo isto?

...

Você sabe, ao menos, do que estou falando?



Nunca mais



Andrei R. Lopes (andrey.rl@hotmail.com)

Nunca mais eu quero
sentir esse vazio que me corrompe,
que vai devastando o meu peito
e picoteando a minha alma

Nunca mais eu quero
ouvir de você e de sua boca
palavras que me ferem, me machucam,
que não fui nada ou que fui apenas mais um
Como posso sentir algo
se meu coração está estraçalhado?
aos pedaços e pela metade?
Espere… ainda não vá,
pois a parte que você ocupa em mim
ainda está inteira.

Por isso imploro…
Não me deixe aqui sozinho
Nunca Mais!

Um enigma para a ausência

Erilaine Perez

Que manhã é esta em que o sol não beija as flores e não invade as janelas com seus pés de vento? Que manhã é esta que se afasta... Meus olhos cansados dançam na chuva dessas curiosidades claras. Pingam gotas nas roseiras da vizinha. Escorre cor de pétalas no gramado azul de céu. Nem os imensos espelhos das águas refletiriam tão bem essa cor. A cor do céu na terra em dias sem sol.

Que manhã de dia enluarado. Que manhã! Mescla de tanto e de tão pouco. Simbiose das forças da natureza. Raio obliterado entre nuvens de sal e algodão. Seta lancinante de luz. Tiro seco de som. Palma oca de afago. Cheia total dos sentidos. Nada de tudo num redemoinho de fios de cabelos e folhas. Que manhã alheia dos bichos. Ainda devem estar escondidos no sono que não amanhece. Não há pressa nos largos e esquinas. Não há pássaros madurando nos galhos. Não há canto. Enquanto o sol não é deflagrado o sangue não escorre...

Os olhos são vidro endurecido à procura de calor. Os ouvidos esperam a alvorada nascer da garganta dos galos...

O olfato nem belisca o aroma quente do café. Que manhã é esta em que a falta do dia confunde os sentidos? E que falta é essa que quase não se percebe em dias que não são assim? Nem respostas chegam nessa falta de atividade... Oxalá a cor da tarde enrubesça todas as faces, acorde os bichos, ative os sentidos, desvele todos os enigmas... A noite dê à luz a uma manhã de sol outra vez.

Uma pequena lata de lixo

Giovani Pasini

Dias atrás, eu estava no gramado em frente da minha casa, sentado em uma cadeira de abrir, daquelas que se usa na praia. Meus pensamentos voavam em preocupações do trabalho. O chimarrão, de cor verde-clara, da cuia marrom e da água quente, estava estabilizado em minha mão direita. Meus olhos penetravam nas preocupações da profissão, vagando pelas gramíneas verdes de minha residência. Naquele instante, meus problemas pareciam ser os maiores do mundo!

Foi quando, nesse ínterim, observei uma velha senhora de cabelos brancos e feições maltratadas se aproximando pela calçada. Ela empurrava um pequeno carrinho, do tipo daqueles que tem em supermercado. Suas roupas eram esfarrapadas e seu andar parecia dificultado pela idade avançada. A pele escura contrastava com os dentes álveos. O carrinho, cheio de objetos disformes, rangia em cadência constante, ante ao empurrar trêmulo da mulher senil.

Quando, um tanto de repente, ela parou em frente ao meu portão, me encarou (no fundo da alma), sorriu e disse: “- Dá licença, que eu vou mexer na sua grande lixeira.”

Um raio cortou meu coração: seus olhos transmitiam uma felicidade tão intensa, enquanto remexia os restos de comida que eu havia desperdiçado. No final, após o contato com restos de alimentos, misturados a objetos nada higiênicos, ela ainda se despediu: “- Tchau! Muito obrigado!”. Só eu sei por qual motivo não tive coragem de lhe responder. Ao vêla se afastar, empurrando o seu destino, tive apenas a capacidade de pensar: “Muito obrigado, velha senhora. Sem saber, me fez compreender que a maioria de meus problemas cabe no fundo de uma pequena lata de lixo...”. Diferentemente das grandes lixeiras que ela conseguiu e, com certeza, sempre conseguirá superar.

Reflexões

Marcus Vinícius

Marcas, nomes, etiquetas e adesivos, não fazem a diferença. O pouco muitas vezes é o suficiente e o louco muitas vezes é o genial. O artista muitas vezes é o errado, porém o advogado que mente é o correto. O homem que mata outro é muitas vezes inocentado, porém o que rouba um pedaço de pão paga a pena eterna. A mulher que trai uma vez é tida como prostituta, mas o homem que trai mil vezes é reconhecido na sociedade. O aluno que não cola e tira 6 é desinteressado, aquele que cola e tira 10 é bem visto. A criança que tem arroz e feijão pra comer, quer lasanha. A criança que não tem nada pra comer, come lixo.

Olhos Femininos

Alessandro Reiffer


amo esses olhos
tão fundos
tão belos
etéreos
tão graves
esses olhos
dessa cor...
amo teus olhos
serenos
imensos
intensos
tristonhos
esses olhos
dessa cor...
dessa coruja.

Faça algo


Carla Albuquerque

Por favor, me de um sinal
Me ligue, apareça,
venha até aqui
Mande um sinal de fumaça
Mande um pombo-correio
Ou me diga para
nunca mais te procurar
Mas não me deixe aqui
sozinha, esperando
Esperando eternamente por
alguém que nunca vem
Diga que não me quer
Despedace de uma vez
o meu pobre coração
Arranque de mim o que
ainda resta da esperança
Mas não me deixe aqui
no silêncio
Esperando o telefone tocar
Outra noite sem ouvir tua voz
não consigo dormir
Outro dia sem te ver
não consigo cantar.

Estação Saudade

Lígia Rosso (ligiarosso@hotmail.com)

Dentro da minha alma
tem uma estação chamada Saudade,
nela chegam e partem lembranças
de todas as minhas idades...
Saudade de comer pitanga,
correr, pular livremente e
receber o abraço do meu avô, assim, todo contente!
Saudade de viajar de caminhão com meu pai,
e me deliciar com a ambrosia que a mãe fazia.
Às vezes, choro por dentro
quando desembarco na estação Saudade...
que vontade de mudar o relógio do tempo,
ir brincar de sapata e dar risada com a gurizada!
Parecia que o calendário andava devagar...
e as horas eram preguiçosas!
Tempos bons aqueles de brincar de roda
e fazer bolo de chocolate com barro.
O que me consola é que tenho
bem escondida numa das esquinas do meu ser,
a estação Saudade onde, de vez em quando,
gosto de descer...

Sinal vermelho


Sinal vermelho
Em meio ao sinal vermelho
Observo pelo espelho
Uma pequena mão aberta
Sem pensar ligo o alerta
Um jovem maltrapilho
Avança carregando seu filho
Aproxima-se passo á passo
Nesse momento já não sei o que faço
Instintivamente fecho a porta
O que deseja não importa
Rapidamente ergo o vidro
Sem lhe dar ouvido
Bruscamente piso no acelerador
Sem olhar o marcador
Não quero ser incomodado
Muito menos assaltado

Vazio



Mais uma vez ela chega, sóbria e descontente, larga as chaves no mesmo móvel com marcas de copo de tempos felizes. Percorre o corredor branco e agora sujo, vai até a geladeira, pega mais uma daquelas pizzas e abre outra garrafa de Rum. Volta para a sala, chuta os sapatos deixados pelo caminho, bebe, fuma e chora em um ritual de martírio e saudação àqueles tempos em que, aquelas paredes frias, sofás, tapetes e mesas eram impregnados de cheiros e gemidos.

As recordações são interrompidas pelo cheiro de pizza queimada. O gosto de Rum, pizza e lágrima se misturavam, assim como a fumaça do forno e do cigarro. Os olhos se fixavam naquele telefone que há tempos estava mudo. Esperava que talvez ele tocasse, assim como esperava ouvir o barulho de chaves na porta, apesar desse ruído não ser ouvido a dias, meses, anos. Já não tinha mais controle do tempo nem conhecimento de dias.

Pensara inúmeras vezes em se mudar, mas a idéia de mover qualquer coisa lhe perturbava e desesperava. Quando a rua não emitia mais a poluição auditiva de todos os dias e o silêncio tornouse ensurdecedor a ponto de não deixá-la pensar, resolveu tocar naqueles CD's, agora empoeirados. Perdeu-se em pensamentos. Quando se deu conta, estava no chão entre almofadas, garrafas e cigarros sem conseguir sair dali. Adormeceu em um sono profundo e sem sonhos despertado por um bilhete deixado em baixo de sua porta, seu apartamento alugado seria vendido. O choro compulsivo veio, junto com ele a proximidade com aqueles comprimidos e garrafas e pós e cigarros deixados por ele. Sentia o líquido quente vazar por todos seus poros. O sono vinha lento e doce acariciando seus cabelos, rendia-se a ele devagar e, instantes antes de entregar-se por completa, ouviu ruídos que lhe pareciam familiar. Eram chaves na porta.

Crianças no sinal

Cácio Machado

Eu quero comida
Titio, titia.
Pela moela
E atinge o coração
Se o som é bueno
Límpido e translúcido
Bem estar único e sereno
Se o som é ríspido e sujo
É preferível ser surdo
O som da palavra
Precisa vibrar na bigorna
Ser tranquilo acalento
Para ser pá e lavra
Na lavoura da alma
Do ouvido atento.

Perfeição


Luana da Motta Diello (luana_g_m@hotmail.com)

O sangue fervia nas veias na medida que o coração acelerava e os nossos corpos encaixavam-se, acompanhando suas batidas. Faíscas incendiavam os nossos lençois, enquanto o fogo carnal nos possuia e nos levava aos céus. O momento era apenas nosso e os lábios carnudos, quentes e molhados, beijavam minha alma e lábios.

Ah, esses teus lábios famintos me beijavam sem censura. E benditas sejam as mãos,que deslizavam suavemente, enquanto apalpavam meus seios,se perdendo entre minhas curvas. Meus olhos estavam fechados e, mesmo assim, era possivel ver seu rosto nerd sorrindo e manifestando o semblante de alguém que nao tinha pressa de acabar. Mas sim de alguém que, se pudesse, pararia o tempo e o cosmos.

O orgasmo não era mais importante. Afinal nós estavamos em outra dimensão, outra mundo. Indubitalvelmente fundidos por uma força harmoniosa que nos fazia dançar aos som do vento, das folhas, das estrelas, das águas. A sensação era de liberdade constante. Pois os grilhões foram quebrados e chorávamos de tanta alegria. Pois não eram mais dois corpos em atrito buscando prazer e, sim duas essências,correndo sem medo ou pecado. Èramos apenas um homem e uma mulher.

As aparências


Cristine Xavier Miguel (cristine-miguel@bol.com.br)

Passamos pela vida, por um curto espaço de tempo que escorre por entre nossos dedos dia-a-dia. Certa vez li que “nascemos sem pedir e morremos sem querer”. Portanto temos o dever de aproveitar cada segundo. Afinal não sabemos quando será o último. Nsso espírito nasce livre e durante a infância ainda preservamos muito desta liberdade, com a inocência, apenas vivemos, cada momento despreocupadamente. Preocupar-se é inútil e turva nossos olhos, não enxergando a beleza à nossa volta, como o esplendor de um pôr-do-sol, a delicadeza de uma gota de chuva alimentando a terra, o vôo errático de uma borboleta, a leveza de uma criança ou a sabedoria de uma pessoa que já passou dos 50 anos: a vida nos presenteia a cada momento, mas nos privamos de perceber, sequer abrimos este presente. Nos momentos de dor e sofrimento vendamos nossos olhos e não conseguimos enxergar as oportunidades que batem à porta.

Fixamos nossos olhos para o que se fechou e não enxergamos além. Passamos a vida buscando o pote de ouro do arco-íris, sem perceber que é no percurso, que está o ouro e não no final. É nos amigos que encontramos, nas pedras do caminho, que lapidamos nossa sabedoria, que nos faz ver quem realmente somos .

O que fazemos com a nossa dor, é o aprendizado que nos torna pessoas especiais, mais evoluídos. Negativismos como a inveja, o rancor, o medo, são traidores e destrutivos.
Por isso, precisamos tomar cuidado para não alimentá-los, sentimentos como o amor e o perdão, são difíceis, mas nos fazem um bem enorme...

Hoje insano

Micheli Tadiello Pissollatto (mydieu93@hotmail.com)

A minha insanidade não pode ser contida
Tampouco deve ser.
Contesto que antes que o galo cante
O meu pecado se revelará
E te machucará..
Antes que o sol nasça
Tu me verás diante de teus olhos
Uma simples imagem falsa.
Teus desejos me serão satisfação
Porque por mim não serão satisfeitos
Não mais..
A minha culpa negaceada.

Não, não me pergunte por que,
Porque não há porquês!
Vê-me sóbria e despida de minha sagacidade?
Foi-se a época em que lamuriei,
Eu somente sonho, e hoje não me importo
Com nada e ninguém.
Hoje sou eu quem vive em minhas memórias
Hoje mais ninguém existe em minha consciência..
Hoje meus sonhos são para mim e por mim,
Ninguém com quem me preocupar.
Antes que outro dia chegue...
Você vai sentir falta e se lembrar..
De mim.

Despedida


Dalva Mariza Machado Sagin (adeline_sagin@hotmail.com)

Hoje mais uma vez me encontro só , pensando em você.
Tendo comigo somente o teu cheiro e o sabor do teu beijo.
Pois isso ficará em mim para sempre
*****
Meu amor como sempre pensando em você fico imaginando nós dois juntos numa eterna felicidade lembro dos seus olhos, seu sorriso, seu jeito de me acariciar e construo em minha fantasia uma vida com você.
*****
Volto a realidade e percebo que foi tudo um sonho pois entre nós ficou palavras que não foram ditas, momentos que não foram vividos e sonhos que deixaram de serem sonhados.
*****
Pois nesta triste despedida você me disse um dia eu não quero mais você, partiu e foi embora me deixando a sofrer.
Mas em meio ao sofrimento mesmo assim vou te dizer.
Volta minha vida pois estou morrendo aos poucos de saudade de você.

Percepções

Camila Canterle Jornada

Aprofundava-me em sua alma, percorreria todo o teu ser,
Descobriria lugares jamais desvendados por qualquer partícula
Eu sou o teu ser, sou o teu refúgio.
Sou tudo aquilo que você quer
E sou também a maior prova de fraqueza
Hoje mantenho minha eterna construção
Viver com tua alma e penetrar no teu íntegro
Meu sofrimento se espalha na minha circulação
Perco as forças pensando no meu fracasso
Mas, respiro e sigo em frente olhando tuas fotos.
Poses de um educado e um tanto cauteloso
Sou teu poder, sou tua luz, deixe-me te guiar...
O caminho consiste na fragrância da nossa existência,
Apenas fizemos uma breve parada
Estamos respirando, muito cansados.
Abra os braços, não tenha medo.
Siga o som, diga sim...
Faça o mínimo: envolva-me
Neste momento, antes que eu siga as trevas...
Nada é mais sufocante do que viver sem sua plenitude,
Nada é mais desafiador do que minha própria essência
Prometo seguir essa história até o fim
É uma batalha sangrenta, muitos vão subir...
Os bons irão nos ajudar,
E eu jurarei Amor Eterno...

A queda livre e as sete cores...


Gisana Monteiro

Perdoa-me, eu não pude entender
Nem aceitar, nem esquecer
Eu só sei que existe uma parte em mim
que não sabe viver sem você

Uma nuvem de fumaça, e você saberia controlar
Quem realmente amou, sempre soube aceitar

E ninguém nunca soube melhor de você como eu
E nunca ninguém vai saber sobre a sua agonia
Eu deveria saber que pensar não resolvia

Agora eu vejo que nada nunca é suficiente
Toda a ajuda, nada bom o bastante, mas
Amor, você sabe que eu tentei, e eu sei
Amor, eu sei que você tentou

Continuo pensando nos nossos planos para o futuro
Eu sei que existiria, e você sabe, a gente merecia.

Sinto sua falta, sinto saudade.
E eu sei que antes da fraqueza, existiu algo realmente forte.
Não, e não pensa, e não sente. É tudo vazio.

Para uma grande e inesquecível amiga que decidiu que não valia mais a pena viver, aos 15 anos. Giuliana, amor eterno, mais e além, para sempre. Sempre.



Para uma grande e inesquecível amiga que decidiu que não valia mais a pena viver, aos 15 anos. Giuliana, amor eterno, mais e além, para sempre. Sempre.

Página em branco

Janice Dorneles Trombini

Pense em cada dia que nasce, cada sol ao raiar, poderia ser uma folha em branco. Fazemos na vida tamanhas bobagens, erros, acertos, estamos sempre como se estivéssemos fazendo uma prova, que quando rabiscamos muito, pedimos uma folha em branco para começar de novo. Começar de novo...pedi neste ano para Deus uma folha em branco para reescrever minha vida, passar a limpo, escrever meus ideais, minhas expectativas, meus sonhos, não cometer os mesmos erros..uma folha limpa, branca para eu passar a limpo tudo, fazer a vida acontecer de forma mais leve, calma. Não terei medo de escrever cada palavra pois minhas folhas estão muito rabiscadas de erros e acertos com os quais revi, vivi e aprendi, mas agora quero apenas uma folha em branco onde escreverei sem erros de ortografia pois pensarei antes de escrever...sem riscos, tomarei cuidado para não resvalar a caneta, pois como nunca, estou com os meus pés firmes no chão. Sei lá se não vou rabiscar, mas certamente não serão os mesmos erros do passado. Estou me reescrevendo nesta folha em branco, página por vez. Creio que assim...serei mais feliz !

Transcendência

Ayda Bochi Brum


Já não sinto tanto
a minha dor que tenho
pois a dor que não é minha
dói-me mais que a minha dor.


E essa alegria que é tua
é muito minha
é mais minha
que a minha e a tua dor!


E, assim, na troca sagrada
da dor do outro sentir,
alcança-se a eternidade:
na paz do outro, sorrir.

Simples assim

Lígia Rosso

Não quero ser tudo...
Também não quero ser nada.
Quero apenas ser
o que realmente sou.

Se me aceitarem - que bom.
Se me julgarem - normal.
Se não quiserem saber quem sou - nenhum problema!

Sou simplesmente assim:
eu no mundo,
e o mundo em mim.

Insustentável Dualidade da Vida

Aplausos, aplausos
Muitos aplausos,
Fecham-se as cortinas.
Os aplausos somem no ar
Sai de cena o artista
A vida real recomeça.

Ando pelas ruas movimentadas
Passo pelos bares lotados
Milhares de pessoas ao meu redor
E eu dentro de minha solidão
Em nenhum daqueles rostos
Encontro quem procuro
Sento em uma mesa qualquer
Procuro esquecer de mim.

Alegro-me ao pensar que amanhã
Quando novamente abrirem-se as cortinas
Terei aplausos e serei feliz,
Sempre a espera de ver-te
Sentada na primeira fila.

Penso, sinto, quero, desejo...

Júlia Crivochein Ferreira (*)

Eu penso que a vida é afeto
Penso que o amor é infinito
Penso que tudo tem por que
Penso que o mais importante foi dito.

Eu sinto que justiça nunca morre
Sinto o poder do perdão
Sinto que a esperança tem seu preço
Sinto sinceridade no coração.

Eu quero educação no mundo
Quero humildade na mente
Quero sabedoria nos atos
Quero saber ser prudente.

Eu desejo fé nas ruas
Desejo igualdade nas raças
Desejo compaixão no homem
Desejo respeito nas praças.


(*) Aluna da 6ª do Colégio Medianeira. Trabalho produzido em sala de aula. Tema: Aula de valores, 2009.

Por si só


Fernanda Fávero Alberti (fernanda.lbrt@gmail.com)

Refugio-me nas palavras
Tentando explicar alguma emoção
Não encontro nada
Tudo o que eu escrevo é em vão
Vejo-me coberta de erros
Dizem que o passado não importa mais
Mas fico presa em meus desapegos
Toda uma vida que foi deixada para trás
Saio em busca de um abraço
Um ombro amigo qualquer
Tudo o que eu vejo são estranhos
Pessoas que perderam a fé
Pois assim, vejo-me sozinha
Não preciso de ninguém ao meu lado
Refugio-me em meus pensamentos
Por si só, me vejo sem amparo
Queria entender
Porque a vida é assim
A saudade quando me pega
Não tem quem a tire de mim
Prefiro ficar sozinha
Por si só, com a solidão
A tua voz em entrelinhas
Que eu tatuei em meu coração."


Eu te amo




Eu te amo porque nos dias mais tristes
Você aparece e me faz sorrir
Eu te amo porque só você sabe ver
Como eu sou de verdade
E não como eu quero parecer
Eu te amo porque você não sabe o que eu quero
Mas sabe o que eu preciso
Eu te amo porque você me decifra
E embarca nas minhas aventuras
Sempre a voar junto comigo
Eu te amo porque você é meu amigo
E entende minhas paixões
E até minhas frustrações
Eu te amo porque quando estou contigo
O mundo para de girar por alguns instantes.


Nos Permitir.....


Michelle Botta de Souza (sb_michi@yahoo.com.br)


Quando tudo parece perdido, paramos de reconhecer em nós mesmos o que sempre fomos;
Questionamos se o certo nunca foi o errado e se o bom não era apenas o mau com boas intenções;
Desacreditamos que possa existir verdadeira felicidade vinda de sentimentos puros;
Desacreditamos que em algum momento houvesse verdade;
Passamos a viver na insegura certeza de estarmos sós com nossas próprias dores, guiados pelo medo de perder o que na verdade nunca arriscamos ter.
O que tínhamos até então, vinha da tênue linha do que sempre se espera encontrar, nas fases já planejadas da vida, na ordem que a boa história nos conta;
O nosso maior erro é ter acreditado que tudo estava perdido;
Não temos o poder de criar ordem às fases da vida, mas sim, as fases nos criam como pessoas, nos levando a ser aquilo que permitimos viver em cada uma delas;
Não há como fugir do medo e das incertezas que nos cercam;
Há apenas como seguir em frente, buscando novos caminhos na incerta mas feliz caminhada do destino;
Buscar no presente o que deixamos de encontrar no passado não altera a ordem da vida, apenas esculpe novos horizontes que nos levam mais próximos a felicidade pelo simples fato de termos contornado medos e nos permitido novas chances.

Sua falta


Andrei Rodrigues (andrey.rl@hotmail.com)

Nada mais é como antes. Simples e subitamente, tudo mudou.
O ar não é mais o mesmo, a visão já está embaçada devido as lágrimas que tomam conta dos meus olhos. A audição está mais aguçada para que eu possa ouvir seus passos, seus risos e suspiros ao se aproximar.
Eu aqui, sozinho, exposto ao vento frio da solidão, mantenho aceso apenas o amor que sinto por você, o que não me deixa congelar e quebrar.
Em um segundo você está aqui, no outro não está mais. Vejo você partir para os braços de outra pessoa, e vejo-me no vazio de um lugar qualquer tentando encontrar teu pensamento, e tentando também, sentir teu toque.
As luzes se apagam, e eu vou caminhando pela rua escura e úmida, tropeçando, resvalando, caindo, te vendo, levantando, te perdendo... MORRENDO!


Pontuação...


Lígia Rosso (ligiarosso@hotmail.com)

Texto e pontuação.
Vida e vírgulas,
uma breve pausa para a emoção...

Tempo:
ponto de exclamação enlouquecido
pelas horas que voam
e os dias que se vão!

Vírgula e ponto,
ponto e vírgula.
Agora surge um ponto de interrogação (?)

Que permaneça assim a vida:
pontuando-se.
A qualquer instante,
a gente sabe,
chega sempre um ponto final
.

Imolação

Erilaine Perez (galega.perez@gmail.com)

Despi o pijama do sono, calcei os pés no dia. Fui abrindo as cortinas do tempo, respirando as coisas da vida, deixando a luz entrar. Em volta, pedaços de espera, resquícios de desencontro, frases inteiras caídas no chão, adjetivos pensados, mas não ditos; esperanças, quimeras...

O teu rosto emoldurando e imolando todas as coisas.

Inventariei, por um instante, cada objeto desse estranho habitat. Fiz silêncio para ouvir a voz dos substantivos, de todas as interjeições presas às paredes. E elas escorreram! Sim, liquefeitas, fluídicas. Restaram, ainda, os advérbios truncados teimando em dar tempo e lugar a tudo ali em volta...

O teu dedo apontando e imolando tudo.

Observei, uma vez mais, toda a desordem. Os ponteiros, mesmo agrilhoados, varridos para baixo do tapete, resistiam com ferocidade à empresa da batalha eterna. Ah! O som dos segundos jamais abandona nossos ouvidos. Os meus, os teus... é só tocar o pulso... e lá está ele... E se, enlouquecida pelo ritmo, cortasse o curso dos segundos? O relógio jorra. E é vermelha a sua vazão.

A tua lei impondo e imolando tudo.

Vesti a roupa das ruas, calcei sapatos de amarras. Fui fechando as janelas, expirando as coisas vistas. Colando a fragmentação dos sentidos. Pensares inteiros, ideias completas. Abri a porta. Segui o caminho igual ao de muitos dias. De todos os dias. O tempo parecia continuar preso às cortinas.

O teu tempo imolando o meu.

Meu Pai e Minha Mãe

Marcus Vinícius Manzoni da Silva (marcusviniciusmanzoni@gmail.com)

Meu pai e minha mãe
Seguem frustrados
Me querem milico
Me querem banqueiro

Mas eu e meus eus
Seguimos pirados
Só faço poemas
Só faço canções

E peço perdão,
Meu pai e minha mãe
Por me ser poeta
Por me ser roqueiro

Mas trago no peito
A explicação
O poeta ama
Mais que o banqueiro
O músico sente
Mais que o milico

Eu amo vocês
Mais que um montão
E sinto sua falta
em solidão
Meu peito se aperta
E pede vocês
A todo momento
Só quero vocês
Tão perto, tão longe
Mas no coração.


O céu como um sonho

Carlos Giovani Delevati Pasini (gpasini@ig.com.br)

A grande maioria das vezes, quando entrego os meus pensamentos e dedos ao teclado do computador, rogo a Deus para que o produto de minha escrita ajude alguém, em alguma coisa. Quando digitamos com grande paixão, existe uma comunhão de energias e, em poucos segundos, estamos em contato com um pouco da divindade. Eu acredito nisso.
Um exemplo: você poderia ter ultrapassado este artigo, sem percebê-lo. Sim, poderia. Entretanto, não o fez. Coincidência ou destino? Não teremos como comprovar, objetivamente. Neste ponto caberá às crenças subjetivas do leitor. Pense o que quiser.

Contudo, vamos parar um momento e pensar no que Santo Agostinho escreveu: “Não existe passado e futuro, somente o eterno presente”. O passado somente existiu e o futuro só ocorrerá enquanto presente. O que passou, passou e já foi. O que irá acontecer, ainda não pode ser observado fisicamente.

Atualmente, a sua personalidade não é igual a do ano passado. Você aprendeu, mudou, conheceu e viveu. Agora, dentro do seu cérebro, está embutida a melhor individualidade de sua existência, a única que ainda realmente permanece.

Portanto, vamos mudar a nossa postura, tentar viver mais o agora, com a índole de uma vida construtiva, sabendo que conflitos existirão, mágoas serão causadas e sentidas, mas que a “boa fé” ainda faça parte do nosso infindável presente. Como dizia o poeta: “Que seja eterno, enquanto dure...”.

Enfim, percorra o céu das nuvens brancas, com um olhar de sonho. Sinta o calor exalando das pedras quadradas, dos paralelepípedos azuis. Saiba que no meio deste mundo caótico, cheio de maldade, ainda existem corações bons e felizes. A beleza da vida está aí, ao seu lado – basta você esquecer o mau passado, agradecer ao bom futuro, soltar sua pesada mochila e olhar para o belo, contemplando-o neste instante. Agradeça a Deus, você está vivo e faz a diferença.